março 27, 2004

So long....Farewell...Auf Wiedersehen...Goodbye

Bem, despeço-me. Cansei-me deste espaço e vou para outro. A convite do meu querido Boss, com a anuência do meu querido Joaquim, mudo-me de armas e bagagens para o Renas e Veados. Tenho falta de tempo e disponibilidade. Assim mudo-me para o Renas, para postar tranquilamente...com os meus amigos. Quem tiver vontade de me visitar, encontra-me lá. Assim, encerro este projecto do Pagan Days, mas cujo espírito continuará nos meus posts no Renas. Vemo-nos por lá?

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março 24, 2004

anti-semitismo again

Para não desiludir os meus comentadores, resolvi responder por post. Nota: 1ª não acho que seja pertinente falar em judeus neste contexto por uma questão de lógica formal: porque nem todos os israelitas são judeus, nem todos os judeus são israelitas. Neste momento, Israel é governada por um regime da direita mais virulenta e mais reaccionária de que há memória. Também não é verdade que todos os israelitas sejam pró-Sharon, que dirige um governo de coligação entre o Likud e as forças mais conservadoras (ver composição do Parlamento israelita aqui). Como se nota pela percentagem de lugares no Parlamento, o Likud não é consensual. Ora eventualmente podiamos alivanhar uma hipótese, que o governo de Sharon é mau. Partir de noções pré-concebidas de que Israel ou os israelitas ou os judeus são maus... é completamente misleading, no meu entender. 2. De facto, a Palestina sofre violência/assassínios organizados e uma ocupação. É um facto condenável. Mas tratar os palestinianos como os bons da fita e os israelitas como os maus da fita, faz lembrar a inversão da visão BUSH do mundo. Estamos num plano de conflito. Que tem extravasado as fronteiras do Direito Internacional, de ambos os lados. Apesar de Israel ser de facto a força opressora. Contudo nem todos os israelitas concordarão com esta situação e para além disso, os sucessivos governos fazem desta situação th cornerstone de uma identidade nacional. As pretensões sobre Jerusalém, por ambas as partes, por exemplo, são de uma resolução quase impossível. Assumir uma natureza não situacional do conflito e partir para uma definição essencialista dos grupos (judeus vs palestinianos) conduz a mais uma forma BUSH de ver o mundo.
Recuso-me a anti-semitismo e anti-palestianianismos . Acho que a melhor maneira de reflectir sobre a questão implica a rejeição dos estereótipos habituais do "Eles são". Não será mais "Eles estão"?... Choca-me também usar-se o Holocausto para pensarem que por isso os judeus (até porque Israel ainda não existia como país) serão melhores ou piores que os outros. Pensemos na escravatura dos africanos. Isso fez deles um povo melhor ou pior que outros? Não, pois não? Pensemos na opressão machista sobre as mulheres? Isso evitou que cometessem erros que os homens já tinham cometido? Não, pois não?
Quanto à suposta dominação judaica, quantos católicos estão em posições de topo na comunicação social na maioria dos países do mundo? Quantos evangélicos estão nessa posição nos EUA? Porquê só olhar para os judeus? Será que não há neste pensamento a raiz anti-semita?
E só mais uma questão ainda, porque é os judeus hão-de sair à rua e manifestar-se? Digam-me quantos palestinianos ou quantos muçulmanos saem à rua quando um "mártir palestiniano" mata um autocarro de gente?
O que nos choca mais? É certo que a mim tanto me choca a violência de um lado como do outro. Tomo partido sim,pela auto-determinação da Palestina, mas nunca por isso, pressuporia uma posição anti-Israel ou uma posição anti-semita.
A minha chamada de atenção é para as raízes anti-semitas deste pensamento que a esquerda tem produzido sobre Israel. Eu também acho o Sharon e o Bush terroristas, mas não é por isso que vou pensar que todos os norte-americanos ou todos os israelitas são terroristas...tal qual em relação aos Palestinianos ou outros povos do Médio Oriente.
Já agora deixo um exemplo de um blogger judeu que todos conhecem, pro-independência da Palestina e contra a política de Sharon: o nosso Nuno Guerreiro da Rua da Judiaria, a quem aproveito para saudar.

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Anti-Semitismo

Encontrar no totalitarismo anti-semitismo não é nada de extraordinário, é apenas uma continuidade histórica de um fenómeno que matou, expulsou, despojou, violou, agrediu, violentou os judeus. Vêm-me à cabeça a Santa Inquisição, D. Manuel I, o caso Dreyfus, e inevitavelmente Hitler, Mussolini e Estaline, estes três DITADORES que mataram, expulsaram, despojaram, violaram, agrediram e violentaram o povo judeu. Neste momento, Israel é alvo de críticas de toda a esquerda. O que contesto, dado que é um governo ortodoxo, reaccionário, conservador e de extrema direita que promove esta violência, não é a ideia de Israel ou o país. É aquele governo. Pior ainda é quando alguém se dirige aos judeus, nomeando uma teoria da conspiração que os considera em parte os grandes responsáveis pela intoxicação informativa. Que a esquerda trate mal o governo de Sharon, tudo muito bem, acho óptimo, porque o fascista do Sharon é completamente obtuso e reaccionário e também assassino. Que se fale assim do povo judeu, acho repulsivo, generalizado, insustentável e agressivo. A esquerda, ao fazê-lo vai buscar argumentos que pertenceram em tempo aos Nazis. De que os judeus eram os donos de tudo, dos bancos, dos jornais, das escolas, de tudo. Acho profundamente triste. Podemos ser pela auto-determinação da Palestina e pela limitação dos abusos de Sharon, mas creio que ninguém pode afirmar estes disparates.
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Anti-Semitismo

Encontrar no totalitarismo anti-semitismo não é nada de extraordinário, é apenas uma continuidade histórica de um fenómeno que matou, expulsou, despojou, violou, agrediu, violentou os judeus. Vêm-me à cabeça a Santa Inquisição, D. Manuel I, o caso Dreyfus, e inevitavelmente Hitler, Mussolini e Estaline, estes três DITADORES que mataram, expulsaram, despojaram, violaram, agrediram e violentaram o povo judeu. Neste momento, Israel é alvo de críticas de toda a esquerda. O que contesto, dado que é um governo ortodoxo, reaccionário, conservador e de extrema direita que promove esta violência, não é a ideia de Israel ou o país. É aquele governo. Pior ainda é quando alguém se dirige aos judeus, nomeando uma teoria da conspiração que os considera em parte os grandes responsáveis pela intoxicação informativa. Que a esquerda trate mal o governo de Sharon, tudo muito bem, acho óptimo, porque o fascista do Sharon é completamente obtuso e reaccionário e também assassino. Que se fale assim do povo judeu, acho repulsivo, generalizado, insustentável e agressivo. A esquerda, ao fazê-lo vai buscar argumentos que pertenceram em tempo aos Nazis. De que os judeus eram os donos de tudo, dos bancos, dos jornais, das escolas, de tudo. Acho profundamente triste. Podemos ser pela auto-determinação da Palestina e pela limitação dos abusos de Sharon, mas creio que ninguém pode afirmar estes disparates.

P.S.: Em abono da justiça, veja-se a reacção de Luís Rainha no mesmo blog.

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março 22, 2004

Mr Sandman

(scat “bung, bung, bung, bung..........)

Mr. Sandman, bring me a dream (bung, bung, bung, bung)
Make him the cutest that I've ever seen (bung, bung, bung, bung)
Give him two lips like roses and clover (bung, bung, bung, bung)
Then tell him that his lonesome nights are over.
Sandman, I'm so alone
Don't have nobody to call my own
Please turn on your magic beam
Mr. Sandman, bring me a dream.

(scat “bung, bung, bung, bung.….)

Mr. Sandman, bring me a dream
Make him the cutest that I've ever seen
Give him the word that I'm not a rover
Then tell him that his lonesome nights are over.
Sandman, I'm so alone
Don't have nobody to call my own
Please turn on your magic beam
Mr. Sandman, bring me a dream.

(scat “bung, bung, bung, bung)

Mr. Sandman (male voice: “Yesss?) bring us a dream
Give him a pair of eyes with a “come-hither” gleam
Give him a lonely heart like Pagliacci
And lots of wavy hair like Liberace
Mr Sandman, someone to hold (someone to hold)
Would be so peachy before we're too old
So please turn on your magic beam
Mr Sandman, bring us, please, please, please
Mr Sandman, bring us a dream.

(scat “bung, bung, bung, bung….)

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março 21, 2004

Desumanidades

Se há coisa que me tira do sério, é o machismo e a tolerância ao mesmo. Não me importa o pretexto, seja para vender produtos, seja apenas para achincalhar, acho uma atitude digna de nojo e de pena pela estupidez e narrow-mindedness da criatura que a pronuncia, seja homem, seja mulher. A meu ver as raízes do machismo, são as mesmas do racismo, do anti-semitismo, da homofobia...enfim, dsses delírios que o ser humano criou para se distinguir e se diferenciar pela positiva, mantendo sempre a sua identidade como positivo e tmbém para alienar estas/es cidadãs/os dos seus direitos elementares. Com a emergência do politicamente correcto , que a direita caceteira consagrou, para denominar o discurso que não ataca identidades bem convicções, o machismo começou a assumir um papel de provocação da qual nos podemos rir. Não me rio, acabo sempre por ficar agoniado com essas expressões. Veja-se o caso do humor de certas stand up comedies: promovem este discurso, à laia de piada, como se o furar dos ditames do politicamente correcto, lhes desse um especial gozo transgressivo. Não é transgressão, pelo contrário, é dar suporte a uma ideologia velha e gasta, caceteira e que ainda assume um lugar especial na promoção da inferiorização de determinados grupos em relação a outros. Veja-se também o caso das piadas homofóbicas e dos esteréotipos que suscitam. É uma posição anti-progressista, anti-humanidade, anti-igualdade. É dizer que em certas circunstâncias, não tem mal dizermos que os outros são inferiores a nós e que nós é que somos bons. Este post é escrito a partir de um texto completamente estúpido, lido no Notícias Magazine de hoje, que obviamente deixarei de comprar, porque não alimento o ordenado de certos cronistas energúmenos. Pena, até têm lá o Vasco Prazeres, que escreve crónicas com as quais me identifico, pela maneira simples como fala de coisas complicadas. Contudo têm lá, para bandas da última página, uma página a reciclar de imediato. Um tal de Manuel Ribeiro, cuja foto são apenas os pés...parte do corpo com que o imagino a escrever os disparates que escreve. Reza a pagela: "No reino infindável da estupidez feminina avulta a completa ausência em interpretar qualquer esquema, croquis ou diagrama, e de que o exemplo mais acabado é o da análise de um mapa de estradas." É este mote para o vilancete que se segue. Ora, a criatura que escreve isto, numa página engordurada a que chama "provocações", provoca quem? Só se for a masturbação mental de mentecaptos iguais a ele, que adoram confirmar o esteréotipo básico do quais se alimenta o seu pensamento (falar aqui de actividade mental é provocatório...cheira mais a reverberação psitacidea). Usando a baixa linguagem de tom escroque e acanalhado, como quem conta uma anedota torpe, prossegue no elencar dos estereótipos mais básicos: "É claro que uma parte da explicação está na falta de massa encefálica, que terá sido ajuizadamente removida pelo Criador para compensar outras protuberâncias com que simpaticamente dotou essa espécie". O mesmo se deve aplicar ao próprio, pois parece escrever usando apenas o escroto como fonte de pensamento. Esperemos que ao menos tenha dotação anatómica que lhe permita colmatar a falta de dotação intelectual. Ao menos, que algumas mulheres ou alguns homens o possam usar como objecto que estimule os prazeres carnais. Porque os intelectuais não parecem ser o seu forte. Continua a nojenta proclamação da sua testosterona afirmando: "O resultado é que os poucos neurónios [das mulheres] entram em convulsão pela agressão a que estão a ser sujeitos." No caso dele, parece que se pode explicar por razões de economia cognitiva. As crónicas dele são pensadas pela chamada via periférica, a via dos automatismos mentais e dos estereótipos, que aplica chapa quatro. Os poucos neurónios com que foi dotado, parecem ter problemas de ligação uns entre os outros, aliás os 2 que possui, o Tico e o Teco, não comunicam há anos. Passaria agora pela cabeça de alguém que todos os homens pensam assim ou melhor, não pensam? Não pois, não?
Este post tenta inverter as posições, tratando-o a ele da mesma maneira. É chato, não é? Pode parecer rísivel, mas porque é que ele não experimenta fazer o mesmo sobre ele próprio e dizer o mesmo sobre ele? O resultado é feio e deselegante como este post. Mas para basher, basher e meio...E quem, discursivamente, retira assim a humanidade a todo um grupo, merece ver-lhe (discursivamente)tirada a humanidade a si. É claro que depois disto, a minha relação com o Notícias Magazine, it's history...

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março 20, 2004

"Prometido lhe está do Fado eterno, cuja alta lei não pode ser quebrada"

Com a criação do Estado Moderno, e com o impulso iluminista anterior, a Fé foi progressivamente afastada como critério explicativo e legitimador do conhecimento. Nomeadamente, no plano filosófico, quando a Razão começa a assumir um estatuto de validade lógica, em detrimento da verdade revelada da Fé. A sua perda de estatuto e a emergência da ciência e dos métodos científicos, destronou a religião do seu lugar cimeiro até então. O capitalismo contornou dogmas, relativos à acumulação do lucro, a base do sistema. Ao mesmo tempo, a ética protestante assente no esforço, no rigor, no trabalho começou a colaborar com o sistema económico, facilitanto uma ética de desenvolvimento, como diria Max Weber. A fé é privatizada, aburguesa-se e passa a ser vivida de modo mais individual e a Razão estrutura a esfera pública. Lembremos de Habermas, e do projecto de estruturação das esferas públicas, em que o argumento da autoridade é substituído pela autoridade do argumento. Claro que Habermas descreve o acto comunicativo ideal, até porque há certos grupos pensados como fora da história e presos a uma eterna natureza biologizante, ditada por forças obscuras (a Natureza e a sua mão invísivel...não só na economia ela existe). Essa natureza é uma velha filha da Fé, que a domesticou e a impôs como lei...norma sacro-religiosa, ligada a uma ideologia conservadora, para manter a ordem do império. Naturais de um lado, cidadãos de outro. Masculino, não neutro. Foram os grupos simbolicamente dominados que assumem uma alteridade, consubstanciada com a exclusão da polis, podendo assumir a forma de um mal banalizado, se os dominantes impuserem ideologias de superioridade e diferenças de natureza. Assim se oprimiram mulheres, negros, "orientais", homo/bi-sexuais, transgendered, relegando-os para um corpo preso na natureza e na ordem natural das coisas. A apropriação desses seres está também ligada à persistência de dogmas no senso comum e nos saberes colectivamente difundidos. Com origens, ancoradas em crenças partilhadas, que mantêm ambivalências entre tipos de saberes aparentemente incompativeis. A coexistência entre, por exemplo, convicções religiosas e informação científica. Que se misturam muitas vezes para produzir uma visão menos rebatível na esfera pública. Veja-se o caso da recente ligação entre a esfera da vida e a busca de legitimação na ciência para ideias de vida, que são de origem religiosa. A busca dessa fundamentação empírica e rigorosa assenta na necessidade de dar uma objectividade a conceitos de origem religiosa. Para poderem entrar na esfera pública, sem riscos de ataque fácil, por parte de outras convicções, nem que seja filosófico-política, como é por exemplo o feminismo. No caso da sexualidade, a religião tem-se esforçado por manter a ordem natural(izada) do mundo, excluindo a emancipação e o direito à auto-determinação da ética sexual que prescreve. Três exemplos: a proliferação dos movimentos da castidade e pró-vida, o Islão fundamentalista que transforma as mulheres em propriedades privadas do domínio da regulamentação religiosa e manutenção das principais hierarquias religiosa à prova de mulheres. Rejeitando com base na ideologia da diferença, a plena igualdade de facto. E oprimindo. É para determinados grupos como as mulheres e os/as homossexuais, ainda se aplicam a força da natureza e lógica da fé, mantendo-os no Antigo Regime. Em que a pertença a um grupo correspondia a privilégio ou marca de infâmia e de menorização, em vez da cidadania plena, independente do grupo a que se pertence. Com a excepção dos movimentos mais libertadores, como a Teologia da Libertação (porque assente na Terra e não no "luzente estelífero pólo, e claro assento"), a religião permaneceu, à prova de emancipações e de revoluções, mantendo as vassalidades e as diferenças.
Citações do Canto I dos Lusíadas, de Camões.

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março 19, 2004

Manifesta-te

Pessoal, largo Camões em Lisboa, 15 horas manif contra a guerra e ocupação do Iraque pelos falcões totais.
ATTAC PORTUGAL
e Grão de Areia
Vamos!

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março 18, 2004

Grafitti na Rua Damasceno Monteiro, em Lisboa, hoje...

Por cada mulher feliz, há um machista abandonado

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março 17, 2004

Dilemas

O diabo diz a deus: Se és o Criador cria uma pedra tão grande e tão pesada que nem tu a possas levantar

dilema
se deus é criador, tem que ser capaz de a criar
se deus é omnipotente tem que ser capaz de a levantar

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Bush

Bush anda já a pedir a Espanha que não retire do Iraque. Zapatero tem esse projecto político, no programa eleitoral. Rajoy também anda a mandar umas bocas...não lhe bastou o chuto no rabo no domingo passado. É claro que temos cá o lacaio (como bem lhe chamou a Ana Gomes) pronto para garantir o apoio português a cada dislate do Georgie Boy! Vergonhas!

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março 15, 2004

PSOE ganhou mesmo

Parabéns aos espanhóis que mandaram os PP's bugiar. É a atitude...PP's, ide bugiar. Acho mesmo que se deveria fundar uma associação mundial contra os PP's. Para quando, daremos o devido pontapé no rabo dos PP's portugueses? Precisamos mesmo de lhes oferecer o par de patins que merecem e fazê-los descer a avenida. Para Portugal, proponho um objectivo, redução substancial do número de deputados do PP nas próximas eleições, aliás em todas as eleições (o Bossalertou que zero PP's poderia corresponder a deputados para a Nova Democracia ou pior, para o PNR...mais anedotas, uma muito mais sinistra, uma séria ameaça ). Dava uma destas festas. Estes senhores causam-me bortoeja, alergia entre outras afecções. Até quando teremos que aguentar estoicamente estas figuras no governo? Num plano sério (não quero continuar a falar destas anedotas políticas), é evidente que há efeitos do atentado nos resultados destas eleições. Acredito que as eleições são um castigo infligido a Aznar, nem tanto ao PP, pela maneira como manipulou politicamente os possíveis culpados dos atentados. A maneira como o processo foi conduzido foi altamente suspeita. Falou-se na solução do adiamento das eleições. A meu ver, isso seria sim, a cedência ao terrorismo. No sentido em que tal, mostraria que o terrorismo tem impacto em processos fundamentais do Estado democrático como as eleições. E aí o terrorismo não pode mesmo envolver-se. Podemos admitir que tem efeitos no processo eleitoral, nomeadamente na resposta que os políticos dão a esse fenómenos, mas nunca no adiamento de eleições. Isso seria admitir que eles podem alterar as nossas vidas e a vida interna dos nossos Estados. É precisamente essa desestabilização que estes fenómenos não podem provocar. De qualquer modo, Zapatero tem pela frente uma série de constrangimentos à acção: a coligação, um PP ressabiado pelos resultados, uma Espanha destroçada pelos eventos e decisões fundamentais quanto à questão da segurança. A ver vamos, como o PSOE lida com o problema. Se muda a estratégia de mutismo de governo espanhol face à ETA e agora face à Al-Qaeda. Veremos. Os meus parabéns ao PSOE!
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março 14, 2004

PSOE declara vitória

Afinal, reviravolta eleitoral, PSOE já declarou vitória.

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março 13, 2004

Mais manifestações em Espanha

Barcelona, Bilbao e outras cidades também vivenciam manifestações contra o governo espanhol.

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Manifestações em Madrid

Madrid está efervescente! Uma série de manifestações em Madrid, a exigirem que o Governo espanhol se pronuncie sobre a origem dos atentados, antes das eleições. Novos dados evidenciam que o fundamentalismo islâmico está envolvido nos atentados. Prenderam uma série de suspeitos, com ligações aparentes à Al-Qaeda. Os resultados das eleições amanhã parecem depender de uma resposta do Governo espanhol. Os manifestantes exigem o fim da manipulação política, durante o período de reflexão eleitoral. É fundamental um esclarecimento. Os atentados têm consequências políticas directas. E consequências internacionais: a ser a Al.-Qaeda, o mundo pode começar a esperar problemas enormes. Portugal incluido. É que a ETA tem um espectro de acção limitado ao estado espanhol, o que é também terrivelmente mau. Mas a Al-Qaeda não tem localização, pode atacar em qualquer sítio. É importante também deste ponto de vista. Apesar de tudo, seja quem for, isto é de uma gravidade enorme e de uma tristeza ainda maior.
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Madrid, 11 de Março de 2004

Não ao terrorismo

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De clitóris e excisões

Ainda não me tinha referido a um debate que já aconteceu...quando o inominável PP declara que o clitóris não é um orgão vital? Mas que raios quer isto dizer?

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Da humanidade como projecto político

Assisti ontem a uma excelente conferência na FCSH da Universidade Nova de Lisboa sobre as ciências sociais. Steve Fuller, da Universidade de Warwick (UK), apresentou as suas conclusões sobre o papel das ciências sociais no panorama cientifico e político, reflectindo sobre a dicotomia humano-não humano na produção das ciências sociais. Para ele, podemos opôr duas grandes maneiras de pensar a questão: os seres humanos são uma espécie como todas as outras, sujeitos a todos os mecanismos da evolução VS a humanidade como um projecto político e científico, que apresenta especificidades face às outras espécies. O primeiro termo é equacionado com o Evolucionismo e o segundo termo é associado à teoria social clássica (nomeadamente a Marx, Durkheim e Weber). Fuller discute amplamente as cedências que as ciências sociais têm feito aos pressupostos evolucionistas, em soluções do tipo terceira via, que hibridizam natureza e cultura na explicação da vida social, usando pressupostos marcados pelo evolucionismo. E mostra as escolhas políticas por detrás de cada uma destas epistemologias. É que a ideia de que os seres humanos são humanidade nasce com a Revolução Francesa, nomeadamente com Condorcet: somos humanos por participamos nas instituições. Fuller vai mesmo ao direito romano, antepassado das ciências sociais para ele, revisitar a noção de Universitas, a ideia de uma corporação que resiste no tempo, mesmo depois dos seus membros terem morrido e em que o parentesco não é o critério normativo de acesso à instituição. Apesar de muitas instituições cederem ao nepotismo, não é essa a norma que a Universitas institui. Ora é esta participação nas instituições, da qual o Estado é a última instância, que faz de nós humanos e membros desse projecto que se continua a construir que se chama Humanidade. Já o evolucionismo, não permite integrar este tipo de noções, dado o seu centramento na comparação inter-espécies e a sua integração em projectos políticos com fins contrários à humanidade, nomeadamente a eugenia e o apuramento das espécies. Coisa que a minha geração de investigadores não se lembra muitas vezes e num afã de aumentar o poder explicativo acabam por permitir a entrada desses contributos evolucionistas. Fuller apresenta o exemplo do Wellfare, dessa ideia do apoio do Estado a cidadãos para lhes garantir melhor qualidade de vida, corporizada nos Estados-Providência. Já no séc. XIX, Evolucionistas se opunham a ele vendo nele uma ameaça à selecção natural...porquê não permitir que a selecção natural fizesse all the work? Porquê apoiar os pobres e os doentes, se isso seria intervir em processos naturais? A lógica dos partidários da ideia da humanidade, pelo contrário, apoiavam essas políticas, dado que todos faziam parte desse projecto, todos eram humanos e daí termos que apostar na qualidade de vida de todos. Mesmo hoje, para Fuller, a mensagem política dos neo-darwinistas consiste em dizer que nos devemos contentar com pouco, dado que também tudo se traduz num destino genético...apesar da própria genética pertencer ao domínio das probabilidades. O que muitas vezes é esquecido e tratado como causa e explicação suficiente. Aqui a linha de crítica que se abre não é destinada à biologia, mas à sociobiologia evolucionista, muito ligada a um projecto político neo-conservador, que é epitomizado na expressão de Thatcher: "There's no such thing as a society". Esta redução, que a sociobiologia faz, de fenómenos sociais, a fenómenos de evolução natural, tem uma mensagem política de desresponsabilização e de centramento em estratégias individuais para resolver problemas que são sociais. O que nos faz humanos é resistir à natureza, mesmo fazendo parte dela. Daí que tudo o Miguel Sousa Tavares diga sobre a natureza das mulheres e dos homossexuais, é mera sociobiologia pop e pouco informada e destina-se a marcar politicamente o debate, de forma neo-conservadora.
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março 12, 2004

Ausências

Pensando nas vítimas e nos que deixaram, neste atentado inqualificável, sinto que as palavras acabam por ser desadequadas. Penso sobretudo na imensa falta que aquelas pessoas vão fazer para muita gente e ao mundo em geral. Estas coisas deixam-nos sempre empobrecidos, parece que a humanidade se perde um pouco e sentimos sobretudo que a nossa própria condição de humanos é afectada. Por um lado, por saber do terrível sofrimento que as ausências causam e do vazio que deixam na vida de quem deixaram. Por outro, na total banalização do mal (indo buscar a expressão de Hannah Arendt), no absoluto desprezo pela humanidade, dos outros e do próprio, que revelam as pessoas capazes de fazer uma monstruosidades destas. O mundo está mais vazio sem estas pessoas e começa-se a criar mais medo, quando o 11 de Setembro já estava mais esquecido, apesar de ainda se estar de pé atrás. Agora, com a repetição de um atentado devastador, com um número de vítimas elevado, começa-se a criar MEDO...e MAIS MEDO. Este medo arrepia. E marca eventualidade uma maior legitimação para o discurso securitário, dando uma série de possibilidades para criar muito mais medidas de segurança, que eventualmente lesem liberdades dos cidadãos. Claro que não podemos dispensar a segurança, mas podemos dispensar toda a ordem de efabulações políticas que daí surgem. Discursos do Eixo do Mal, só alimentam ainda mais estes ódios. Relembre-se que por muito que os autores dos atentados caibam em categorias nacionais, étnicas ou religiosas, não é motivo para atacar toda a gente dentro da categoria. Por muitos estão tão consternados como toda gente. Descubram-se os autores e punam-se, não se punam simbolicamente grupos. Falamos em qualquer dos casos de fundamentalismos, seja Al-qaeda, seja a ETA. Toda a minha consternação e respeito pelos ausentes e pelos presentes, que ficaram mais pobres. Como todos nós.

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março 11, 2004

Bloggar again

Graças ao Drocas, voltei ao meu querido wbloggar para bloggar a sério. Back to life. Beijos pagãos e todos os agradecimentos do mundo ao Drocas!

Publicado por pagan em 03:19 AM | Comentários (11)

março 10, 2004

A toca das serpentes filosofantes

Serpente filosofante foi algo que apareceu no old Pagan Days e continua a transição, resistindo à mudança. Pois Serpente Filosofante era um insulto atribuído no século XIX, a Mary Wolstonecraft. Junto com outros epítetos como hiena de saias e mulher demónio. Esta reacção, profundamente sexista, à mãe do feminismo inglês, foi mesmo até à sepultura. Mesmo depois de morta, lhe chamaram estes nomes. Ora serpente filosofante é honroso. É bonito. De tal modo que adoptei o epíteto. Gosto da serpente e da filosofante. Não podemos perder a memória histórica destas pessoas que lutaram para hoje tivessemos direitos, mulheres e homens, g l b t ou h(eteros). Mary Wolstonecraft é pois uma das serpentes filosofantes. Mas no plano do feminismo, a minha referência principal é sem dúvida, Simone de Beauvoir. Filósofa de título negado, pela implicação política, a concepção do feminino como alteridade e a análise da opressão das mulheres colocam-na no centro de debates que se estenderam até hoje e que evidenciam a sua antevisão de um futuro. Profetisa dos estudos de género, de Beauvoir desmonta meticulosamente os discursos opressores da natureza, biologia, ciência, história, psicologia que remetiam as mulheres para uma condição de Segundo Sexo. Recordo, que mesmo em relação ao aborto, em 1949 (pasme-se!), de Beauvoir declarava:
“[as] razões morais, reduzem-se ao velho argumento católico: o feto possui uma alma a que se veda o paraíso, suprimindo-o antes do baptismo. É de observar que a Igreja autoriza, ocasionalmente a morte de homens feitos: nas guerras ou quando se trata de condenados à morte; reserva porém para o feto um humanitarismo intransigente. Não é ele resgatado pelo baptismo, mas, na época das guerras santas contra os infiéis, estes não o eram menos, e o seu massacre fortemente encorajado. As vítimas da Inquisição não se achavam sem dúvida todas em estado de graça, como hoje o criminoso que é guilhotinado ou os soldados que morrem no campo de batalha. Em todos os casos a Igreja confia a decisão a Deus; ela admite que o homem não passa de um instrumento na sua mão e que a salvação de uma alma se resolve entre essa alma e Deus. Porquê proibir então a Deus receber uma alma embrionária no seu Céu?” (p.286, vol. 2, no Segundo Sexo).
Este foi uma das suas batalhas. Juntamente com Gisèle Halimi, criaram a associação Choisir e fizeram trinta por uma linha para que o aborto fosse descriminalizado e para que todas pudessem fazê-lo nas melhores condições. O célebre caso de Bobigny, em que uma funcionária do Metro de Paris foi acusada de ter facilitado à filha (de 16 anos) o acesso a um aborto ilegal. Claro que tornaram aquele julgamento em 1972, num affair político. Halimi foi tão ardilosa que transformou o julgamento da Srª Michèle Chevalier num julgamento da própria lei. São estas algumas das serpentes filosofantes que muit@s se esquecem...

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O novo espírito das comemorações do 25 de Abril

O governo quer comemorar o 25 de Abril em novo estilo. Acabou a Revolução, agora é evolução. O R cai e fica apenas o resto. E o que ficou? Fica uma solução que agrada às velhas guardas reaccionárias... Façamos de conta que o 25 de Abril não existiu, que as ideologias morreram (como muitos se esforçam por mostrar, num anódino politicamente correcto) e que já não importam as diferenças entre partidos. Num certo centro e para agradar a um certo centro, convenciona-se a abolição das fronteiras ideológicas e agora até se revisita a história, alterando os seus significados. Estamos no domínio da construção social do passado, a partir de reconstruções ideologicamente determinadas, que retiram as (outras) ideologias da história. Um 25 de Abril, ao qual se retira o significado político, é o quê?
Usar a palavra evolução para se referir ao 25 de Abril é retirar-lhe o carácter de ruptura com a ordem vigente, com o Estado Novo. Aliás não era a evolução na continuidade um slogan da so-called primavera marcelista? O 25 de Abril rompeu com uma ordem social e política. Deu-nos liberdade, até para que possamos falar sobre ele. Deu-nos igualdade, para que possamos estar entre pares, entre cidadãos.
Esta suposta neutralidade da coligação encerra pressupostos, ideologias e práticas políticas, que não são neutras. São ideológicas. Um mix de liberalismo económico com conservadorismo com cheiro a velas.
O 25 de Abril não é nem foi uma evolução. Será sempre uma Revolução.

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março 09, 2004

O inefável JCNeves

Depois da prestação na TV, pelo Barnabé, descobri a crónica do dia. Enfim, elucidativos excertos:
"Cerca de 15 anos depois de começar, não há nenhuma gravidez que não tenha problemas."

"Porquê limitar a permissão da interrupção voluntária da gravidez às insignificantes dez, 14 ou quaisquer semanas? Tudo isso é mínimo comparado com a real dimensão do problema. Até que a gravidez se complete e o embrião saia de casa, a mulher tem direito ao seu corpo, nível de vida, ao seu sono e paz, ao seu bem-estar! Avancemos até aos 18 anos!"

"Além do aborto, não podemos negar que há pedofilia clandestina. O melhor é legalizá-la em estabelecimentos autorizados. Assim as crianças terão tratamento higiénico e psicológico adequado."

Referindo-se a Jonathan Swift (há 275 anos atrás): "Assim, a sua «modesta proposta para impedir que os filhos das pessoas pobres sejam uma carga para os seus pais e a nação, transformando-as em benefício para o público», é simplesmente usá-los na alimentação como outras carnes."

Depois refuta tudo o que disse: "Neste nosso tempo pateta e mesquinho, é talvez preciso explicar que a proposta de Swift (tal como a outra) é sarcástica e mordaz. Porque hoje, com o uso de embriões abortados, clonagem terapêutica e outras infâmias, ela parece assustadoramente real. Aqui a História repete-se, mas primeiro como farsa e só depois como tragédia."

Juntem-no ao padre das fotos onde se comem embrião, suitable for children...OK. o sonho destes "abortistas" como ele chama é comerem criancinhas...onde é que eu já ouvi isto?

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O debate Prós-Contras

Notas breves:
-Como é que o João César das Neves vai lá? A que propósito? Pelas opiniões fabulosas do senhor?
-Porque é que a Laurinda Alves só quer falar dos excessos dos trabalhos de casa e dos meninos agarrados às empregadas?
-Porque é que um senhor da audiência acha gays e lésbicas não podem constituir família? Porque é que ele pode? Porque dorme com senhoras?
-Como é que o Villas Boas acha que não é homofóbico? E se vê como um dos libertadores da opressão sexual?
-Onde está a Gabriela Moita que se doutorou com uma tese sobre a construção social da homossexualidade e mostra como técnicos de saúde mental mantêm um nível de cientificidade assente no preconceito?
-O que são famílias normais, gente?
Felizmente estava lá o Miguel!


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março 08, 2004

"Não sou feminista, mas..."

Hoje andava a passear pela blogosfera e reparei duas vezes em discursos de outros blogs, expressões como "eu não sou feminista, mas..." e a partir daí começam a enumerar imensos exemplos de sexismo nas sociedades actuais. Aqui neste blog, sou mesmo feminista. E isso é parte importante da minha maneira de pensar, de ver o mundo e de o interpretar. O Feminismo tem mais de 200 anos. É um conjunto de reflexões e de práxis políticas, filosóficas, práticas, científicas que têm por base a ideia de que homens e mulheres têm direito à igualdade. As suas propostas com que mais me identifico são:
a) denúncia do androcentrismo, ou seja, pensar a experiência humana como se ela fosse apenas a experiência masculina, remetendo a experiência feminina para a alteridade;
b) denúncia das discriminações sexistas;
c) propostas de novos modelos de sociedade mais inclusivas, como a democracia paritária;
d) conceptualizar novas propostas teóricas e políticas sociais para mudar estes fenómenos e ter finalmente um mundo em que tod@s caibamos.
Por isso, não me envergonho nada, até sinto imenso orgulho em ser FEMINISTA. Como não sê-lo com estas estatísticas?

Os números da discriminação contra as mulheres em Portugal: de A a Z
(números disponíveis no site da Comissão para a Igualdade de Direitos das Mulheres)
a) 26,9% de analfabetAs e 14,4 de analfabetOs // no Superior, 7,8% de estudantAs e 6,6% de estudantEs, em relação ao universo de tod@s @s portugueses
b) 13% de mulheres no governo e 87% de homens
c) 19, 6% de mulheres na Assembleia da República e 80,4% de homens
d) 20% de Deputadas Europeias (portuguesas) e 80% de deputados europeus
e) 5,2% de mulheres Presidentes de Câmara e 94,8% de homens
f) Portugal é um dos países da UE com mais trabalhadorAs (83% das mulheres sem filhos e 72% das mulheres com filhos trabalham)
g) Em termos de salários médios globais, os homens recebem mais 130, 36% que as mulheres. Nos quadros superiores, o rácio Salário das mulheres/salário dos homens é de 71,15.
h) no ano 2000, 5% de desempregadAs e 3,2% de desempregadOs
i) Cerca de 6 mulheres, em média, por semana, são vítimas de crime contra a vida, perpetrados por homem
j) As mais elevadas taxas de pobreza referem-se a pessoas que se dedicam ao trabalho doméstico e à educação dos filhos (53,2% da incidência de pobreza)
l) 11 765 queixas de violência doméstica em 2000 às forças policiais (Faltam as situações em que não surgiram queixas)
m) 89% das famílias monoparentais estão sob responsabilidade de mulheres
n) 39,5 % de mulheres a acederem ao grau de doutoramento em relação ao total de inscritos
o) A taxa de feminização dos docentes é de 99,1% no ensino pré-primário
p) 75,4% de professoras no Básico e Secundário
q) 42% de professoras no Superior e Politécnico, donde 36,1% nas universidades
r) Das doutoradas portuguesas, 53,4 % são Professoras Auxiliares
s) Das doutoradas portuguesas, 32,6 são Professoras Associadas
t) Das doutoradas portuguesas, 6,7% são Professoras Catedráticas (24% de catedráticos nos doutorados)
u) 62,8% dos habilitados com grau de ensino superior, com menos de 35 anos, são Mulheres
v) 32,1 % de mulheres nos quadros superiores de administração pública, dirigentes e quadros superiores de empresa
x) 61,7% de mulheres nas profissões não qualificadas
z) As mulheres portuguesas não podem abortar a seu pedido! (a alínea Z não consta dos dados da Comissão)

Post antigo do PaganDays no blogspot

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Harriet e John Stuart Mill

Estava a ler o livro que já mencionei aqui, de Isabel do Carmo e de Lígia Amâncio, "As Vozes insubmissas" e já no dia da mulher, recordo as palavras que as autoras traduziram, de John Stuart Mill à sua mulher, na dedicatória do "On Liberty". Não deu para conter uma lágrima fugidia...

Dedico este volume à amada e saudosa memória daquela que me inspirou, e que foi em parte autora, de tudo o que de melhor escrevi – a amiga e a esposa cujo elevado sentido da verdade e da justiça foram, para mim, os maiores incentivos e cuja aprovação era a minha melhor recompensa.Esta obra, como tudo o que escrevi durante muitos anos, pertence-lhe tanto quanto a mim próprio; até porque este trabalho, tal como está, só em parte pôde usufruir da sua inestimável revisão; algumas das partes mais importantes, que tinham ficado reservadas para uma revisão mais cuidadosa, jamais poderão vir a usufruir dela. Se eu conseguisse exprimir apenas metade dos grandes pensamentos e nobres sentimentos que foram com ela para a sepultura, o mundo beneficiaria mais com isso, do que alguma vez acontecerá com tudo o que eu venha a escrever, agora que já não posso contar com a prontidão e a assistência do seu inigualável saber. p. 137

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março 07, 2004

Dia Internacional da Mulher

É amanhã. Proposto por Clara Zetkin na 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhaga, em 1910, este dia 8 de Março tem sido progressivamente esvaziado do seu significado político e histórico. É o dia em que se oferecem rosas às mulheres para celebrar a sua condição.
No princípio do século, a mão de obra feminina em determinadas ocupações cresceu. Nomeadamente no sector têxtil. Mantendo contudo o mesmo padrão de segregação salarial, assente no sexo, e mesmo ao nível do fragilidade da contratação. Sabe-se que estas mulheres eram uma mão de obra descartável a ser usada a bel prazer do patronato.

Com a emergência do movimento sindical e a introdução de questões como os direitos dos trabalhadores e a pressão das greves, os operários começaram a conseguir determinadas conquistas. Já as mulheres operárias permaneciam excluídas desses direitos e até mesmo da própria condição de operária. Mesmo no seio do movimento operário, as mulheres eram vistas como uma ameaça e não como pares. Ameaça porque trabalhavam mais com menos salário e porque de um ponto de vista político, eram tidas como mais propensas a influência de forças conservadoras como a religião (razão pela qual se argumentava a interdição do direito ao voto). As feministas socialistas americanas começaram em 1908 a mobilizar operárias pela melhoria das condições de trabalho e pelo aumento dos salários. Clamava-se por Pão (melhoria nos salários) e por Rosas (melhoria na qualidade de vida).
Em 1909, as grevistas chegavam a vários milhares, exigindo estas reivindicações. Estabeleceu-se com Zetkin, o carácter internacional do dia e começou a ser celebrado com marchas e manifestações.
Em 1911, com o Triangle Fire numa fábrica de Nova Iorque, em que 140 mulheres perdem a vida graças às más condições de trabalho, o dia ganhou outro significado, porque se perceberam os riscos a que estas mulheres estavam expostas. Em 1913, Alexandra Kollontai justifica as razões para a existência desta efeméride. Em 1917, novo marco histórico: na Rússia, em resultado da guerra e dos que morreram, inicia-se uma greve no 8 de Março, que faz cair o Czar e é um dos primeiros passos da Revolução de Fevereiro.
Alexandra Kollontai consegue mesmo que Lenine reconheça este dia como um feriado.
Nos anos 60, e no feminismo de segunda vaga, este dia é marcado por manifestações que pedem Salário Igual para Trabalho Igual, reconhecimento da igualdade, acesso à educação, contraceptivos gratuitos e descriminalização do aborto a pedido da mulher. Que Zetkin e Kollontai já reivindicavam no princípio do século.
Em 1977, a ONU reconhece este dia como o Dia Internacional dos Direitos das Mulheres e da Paz Internacional.
Em Portugal, oferecem-se timidamente rosas e condecorações. Que tal revolucionar este dia e dar-lhe o significado que sempre teve? Uma sugestão: uma concentração pela descriminalização do aborto, ás 18:00, no Camões, em Lisboa

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março 06, 2004

o saphismo

Cito de "As saphicas" romance escrito por Eduardo Gallis, uma edição de 1933, da colecção Tuberculose Social. Meninas, cuidado com o abutre sáfico:

"Ai porém da joven innocente e casta quando sobre ella o abutre saphico destende as suas azas negras e absorventes. É uma mulher perdida para o amor, perdida para a família, e para a natural organisação do lar conjugal.
E quando esse abutre, que na maioria dos casos reveste as formas apparentes da mais séria e honesta conselheira, paira junto da sua victima, é muito raro que ella consiga libertar-se-lhe das garras, que mais se lhe cravam nas excitações da carne, mais fundamente do que as do amor natural por indíviduo de sexo differente!!"
Alguma das minhas leitoras sáficas deu pela chegada do abutre?

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Caso SOS VIDA II

No Público: Afinal o folheto do senhor prior ainda tinha mais umas belas imagens que "permitem observar como a criança vai sendo torturada, desmembrada, desarticulada, esmagada e destruída pelos insensíveis instrumentos de aço do abortista". Isto deve ser a informação mais importante para dar a crianças. Entretanto, o gabinete de David Justino anuncia que tal não foi dado nas escolas públicas, apesar de o ter sido nas escolas privadas. O que não desculpa em nada a falta de repressão sobre este tipo de actividades. Não se podem usar as crianças como arma de arremesso numa discussão que é política, nem sujeitá-las a esta violência. Para além disso, tanta preocupação com os fetos e tanta violência visual sobre crianças. Isto é terrorismo político e visual. E os outros senhores priores andam agora a sacudir a água do capote, apesar de falarem em entregar este folheto num congresso de médicos...Sim, porque ele está cheio de informação científica. Chama-se a isto Terrorismo.


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Reading Tip

Acabado de lançar, o novíssimo "Vozes insubmissas: a história dos homens e das mulheres que lutaram pela igualdade entre os sexos quando era crime fazê-lo"de Isabel do Carmo e Lígia Amâncio, pela D. Quixote. A obra contempla os finais do séc. XVIII e o séc. XIX e a invenção do Estado Moderno, com a manutenção do Antigo Regime só para as mulheres. Biografias e fontes traduzidas.
Só para aguçar o apetite, uma das minhas preferidas, Sojourner Truth, ex-escrava que faz este discurso na Convenção das Mulheres em Akron, Ohio, em 1851:

"NÃO SOU EU UMA MULHER?

Bem meus filhos, onde há fumo há certamente fogo. Eu acho que se os negros do Sul e as mulheres fossem para o Norte, todos a falar sobre direitos, os homens brancos ficariam certamente em maus lençóis. Mas afinal de que é que estão todos a falar?
Ali, aquele homem diz que as mulheres precisam de ajuda para subir às carruagens, para passar as sarjetas e para ter sempre, em qualquer lado, os melhores lugares. Nunca ninguém me ajuda a subir às carruagens, a passar por cima dos buracos lamacentos, ou me dá o melhor lugar. E não sou eu uma mulher?
Olhem para mim! Olhem para os meus braços!
Eu lavrei, eu plantei, eu armazenei, e nenhum homem me passava à frente. E não sou eu uma mulher? Eu poderia trabalhar tanto como um homem, e comer tanto (sempre que arranjasse comida) como um homem. E igualmente suportar o chicote! E não sou eu uma mulher?
Dei à luz treze filhos, e vi a maior parte deles ser vendida como escravos, e quando chorei as minhas mágoas ninguém, excepto Jesus, me ouviu! E não sou eu uma mulher?
E então eles falam sobre esta coisa que temos na cabeça; como é que eles lhe chamam? -um membro da audiência sussurra “inteligência”- É isso querido. O que é que isso tem a ver com os direitos das mulheres e os direitos dos negros? Se a minha tigela leva metade da tua, não será uma maldade da tua parte não me deixares usar a minha meia medida por inteiro?
E depois aquele homenzinho, ali, vestido de preto. Ele diz que as mulheres não podem ter tantos direitos como os homens, porque Cristo não era uma mulher!
De onde é que veio o vosso Cristo? De onde é que veio o vosso Cristo?
De Deus e de uma mulher! O homem nada teve a ver com a sua concepção.
Se a primeira mulher que Deus criou teve a força suficiente para, sózinha, virar o mundo de pernas para o ar, então todas estas mulheres juntas têm a obrigação de o voltar ao contrário e tornar a colocá-lo no caminho certo. E agora que elas o pedem, é melhor que os homens as deixem fazê-lo.
Obrigado por me escutarem. A velha Sojourner nada mais tem a dizer.

Sojourner Truth"

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S.O.S. Vida – Apoio à Grávida Aflita

Venho promover o excelente trabalho desenvolvido pela associação "S.O.S. Vida – Apoio à Grávida Aflita". Dirigida pelo seu promotor o Sr. padre Jerónimo Gomes, e criada pelo bispo do Algarve, o Sr. bispo Madureira Dias, esta associação desenvolve uma importante actividade de apoio às grávidas aflitas e também formativa-educativa. Dentre as últimas, o destaque para a mais importante:
- o panfleto de imagens científicas sobre fetos, restos de aborto e pessoas que aparentam devorá-los, destinado a crianças dos seis aos nove anos (aqui notícia e aqui comentário desse ateu e homo...homo...homo...homem sexual Cruzes, Credo, o Boss).
E até têm um calendário com informação científica sobre o aborto e o feto, mostrando que a ciência condena moralmente o aborto.
Aconselho vivamente, especialmente pela acção fundamental do panfleto. É que as crianças sabem lidar com informação científica e objectiva de pessoas que comem fetos.

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março 04, 2004

"O crime está na lei"

O crime continua na lei. A hipocrisia manteve-se. Tapem-se os olhos, como se a Maia e Aveiro não tivessem acontecido.

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março 02, 2004

Ao ponto a que se chega

Estava eu a braços com uma insónia, que não me deixou dormir, e começo a navegar no lado obscuro da web. E pensei, que andarão a planear os anti-escolha para o dia 3 de Março?
Descobri num site de uma associação feminina portuguesa, envolvida nos movimentos anti-escolha (NÃO FEMINISTA, note-se), que se estão a enviar e-mails ao Presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares. Estes e-mails são previamente preparados e basta ir a um site espanhol, de onde se pode enviar a mensagem com o seguinte teor :

"Senhor Presidente da Assembleia da República, Ex.mo Sehor/a Deputado/a,

Excelência,

Considerando que, no próximo dia 3 de Março, a Assembleia da República vai proceder à discussão e votação de uma proposta de ampliação da lei do aborto;

Tendo presente que a vida humana é, segundo o artigo 24º, nº 1, da Constituição, inviolável; inviolabilidade essa que começa desde que cientificamente exista vida humana, o que significa desde a concepção;

Mostrando-se, por outro lado, segundo inequívocos dados médicos, que o aborto provoca sempre danos psíquicos e físicos às mulheres, incluindo até a própria morte, e a Constituição tutela no seu artigo 64º a saúde, incumbindo ao Estado o dever de a defender e promover;

Não obstante um tal projecto de ampliação do aborto ter sido admitido, violando-se o disposto no artigo 131º, nº 1, alínea a), do Regimento da Assembleia da República;

Venho por este meio solicitar a Vossa Excelência que alerte o plenário da Assembleia da República para a inconstitucionalidade flagrante do projecto que será discutido e votado no dia 3 de Março de 2004.

Com os melhores cumprimentos,
(Nome, morada, BI)"

(a partir de um site espanhol: http://www.hazteoir.com/modules.php?name=Noticias&file=article&sid=249)

Os argumentos:
1. Uma ideia de vida, que é intra-uterina, radicando numa representação religiosa e moral da humanidade: vida desde a concepção. Que se saiba, células e embrião ainda não têm personalidade júridica. Donde a acusação de inconstitucionalidade, é no mínimo, curiosa. Vida desde a concepção é premissa. Logo proibam-se todos os métodos contraceptivos, cuja acção se dê na pós-concepção, desde o dispositivo intra-uterino até à pílula do dia seguinte, que são legais em Portugal. Sejam coerentes. E aproveitem e peçam pena não por aborto, mas por homícidio. Já que é vida é igual às outras.

2. O uso da ciência para legitimar um valor. Vida não me parece ser um conceito científico operacionalizável. Podemos falar de células, ADN, genomas, seres. Agora traduzir um valor em ciência, já me parece muito mais complicado. Para além disso, a noção de vida apresentada é questionável no debate científico, precisamente pelo seu carácter axiológico. Muitos cientistas discordariam deste falso consenso apresentado.

3. Os inequívocos dados médicos. Os usos inequívocos da ciência, quando a questão não é de modo nenhum inequívoco. A este argumento, se acrescentassemos o facto do aborto clandestino provocar muito mais sequelas e riscos, psíquicos e físicos, estariamos aí sim, a falar de uma questão inequívoca.

4. É precisamente com o argumento da saúde que é invocado, tal como ele é definido na OMS (o bem estar físico, psiquíco e social) e com o argumento da saúde reprodutiva (o bem estar físico, psiquíco e social na esfera reprodutiva), bem como o direito a uma maternidade e paternidades conscientes (também definidos na Constituição), que a interrupção voluntária da gravidez deve ser despenalizada e realizada em estabelecimentos hospitalares. Para salvaguardar parentalidades responsáveis e adultas, para ser usado quando outro método falhou, para reduzir ao máximo os riscos de um aborto para uma mulher.

5. Não sou jurista, mas parece-me óbvio: a proposta de descriminalização do aborto não é, de todo, inconstitucional. Querem é obrigar todo um país a aceitar uma concepção religiosa da vida (idêntica à seguida pelo Vaticano). Quando ela não é definida deste modo na lei. Por não querermos que concepções das religiões dos outros interfiram na lei do país é que temos um princípio constitucional de separação entre o Estado e as Igrejas. Mas esse curiosamente, não faz parte da exposição de motivos. Pudera!
P.S.: Bem a propósito, ver mais um belo texto no Público

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Debates, Manifestações e vida política

É amanhã, 3 de Março, que o debate sobre o aborto regressa à Assembleia. Dia 3 de Março. A ver vamos.
Contudo no dia 8 de Março, dia internacional da mulher, uma concentração, em Lisboa no Largo Camões, às 18h, para exigir um novo referendo. Para que em vez de rosas e bota-discurso, se reivindiquem DIREITOS. Acho que há para aí uma marcha silenciosa de pessoas que lhes querem negar DIREITOS. Anti-Escolha strikes again.
Mais uma manifestação, desta feita GLOBAL, a 20 de Março, no dia em que passa um ano sobre o ínicio da Guerra no Iraque.
Recebi, muito gentilmente do Daniel Oliveira, do Bloco de Esquerda, a declaração que enviaram à Imprensa sobre o Villas-Boas affair, que o Miguel Vale de Almeida publica, no post O seu a seu dono.

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março 01, 2004

123 mil

123 mil é o número de assinaturas recolhidas pela petição ""Mais vida e mais Família", que o Público relata hoje. A reacção à petição a pedir um referendo. Estes senhores e senhoras não se conformaram e querem que o crime continue na lei. A notícia fala de "aborto livre", o que é uma mentira. O que se pede é que se deixe de penalizar e não liberalizar. Bem, a calhar e no mesmo jornal, uma boa resposta aos anti-escolha.
Estes neo e não tão neo como tudo isso-conservadores vêm mostrar a voz dos que não acreditam que há mais realidades do que a família tradicional. É pois, esse o espírito, o de quem não ouve, não vê e só fala. As palas nos olhos são meros preconceitos. Bem vimos, a sanha de um deles a querer mostrar que os homossexuais eram pedófilos...e que isso era um risco na adopção. Até a Casa Pia foi buscar...enfim, neo-conservadores!!!!

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Backlashing Portugal II

Ainda em relação ao meu post anterior, acabo de ver no Barnabé, que o movimento anti-escolha foi apoiado por uma força política obscura, o PNR, que me recuso a linkar por que não linko nem grupos de extrema direita, nem homofóbicos, nem sexistas, e dado que este grupo congrega estes três insultos à inteligência e democracia, jamais teriam sequer expressão no Pagan Days. Obviamente que qualquer comentário desse teor neste blog será impiedosamente apagado e reduzido a zero bytes. Sem aviso prévio, a não ser este. Até porque não são simples opiniões, são acções anti-democráticas, criminosas e que não se coadunam com o espírito da democracia. Como ia dizendo e corroborando a hipótese sobre a natureza anti-direitos políticos destes grupos, esta é pois uma evidência das relações que estes movimentos anti-escolha mantêm com instituições anti-direitos...dos imigrantes, das mulheres, dos gays e lésbicas, de todos os que viram, historicamente recusada uma cidadania plena. Como é o caso da propaganda deste partido. O facto de terem online uma cópia da petição anti-escolha evidencia a aceitação das suas ideias anti-escolha no espectro mais sinistro da política mundial. Admito que muita gente que não aceita o direito à auto-determinação, não aceite as ideias deste grupo. Admito que não são todos assim. Mas o facto de a petição estar online ali, mostra que nessa constelação de ideias anti-escolha há raízes preconceituosas, backlashing e pouco democráticas. Não nos podemos esquecer que o argumento pró-natalista também está por detrás das ideias anti-escolha...partilhado por déspotas como Hitler, Mussolini, Salazar, Franco, Estaline, entre outros ditadores. Mas ainda bem que damos por ela. Agora sabemos de onde alguns anti-escolha vêm...

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