A onda neo-conservadora que assola o mundo é bastante semelhante aos movimentos, que Susan Faludi (1991. Backlash: The undeclared war against american women. New York: Anchor Books.) denunciou como backlash anti-feminista. Nas palavras de Faludi: "The truth is that the last decade has seen a powerful counterassault on women's rights, a backlash, an attempt to retract the handfull of small and hardwon victories that the feminist movement did manage to win for women (...).The backlash is at once sophisticated and banal, deceptively "progressive" andproudly backward. It deploys both the new findings of scientific research and the dime store moralism of yesterday." (p. xviii).
Faludi referia-se aos movimentos New Right que emergem com força nas administrações Reagan e Bush Pai. Esta onda de moralismo, right wing, acalmou-se um pouco durante a administração Clinton, mas ressurgiu furiosa com a emergência da medíocre Bushada e sua falcoaria. Novo backlash, que até quer ficar consagrado na lei e nos financiamentos às instituições religiosas, de direita, anti-escolha e outros.
Aqui em Portugal, seguimos a onda. Nem se pode falar num backlash como nos Estados Unidos, por aqui, onde o movimento feminista foi incipiente ou praticamente inexistente. Contudo, é um facto que as mulheres começaram, ainda que timidamente, a gozar de determinados direitos e de determinadas posições na esfera pública.
Apesar de tudo, uma série de medidas fundamentais e de direitos ainda não foram postos em prática. Ex.: O caso do aborto e as medidas de acção positiva nas listas para o Parlamento. Por isso, esta vaga conservadora que nos assola nem sequer é um verdadeiro backlash, porque para isso teriam que ser conquistados determinados direitos, que ainda não foram.
Apesar de em comum com o backlash, termos o facto de que forças políticas, religiosas, civis and so on, que eventualmente nem estarão num esforço concertado, de vez em quando mandam umas declarações na praça pública e tentam que elas se tornem lei. Veja-se o caso Villas Boas, as declarações dos grupos das famílias numerosas e a petição do movimento anti-escolha (não são pró-vida, como se dizem, são anti-escolha, porque vida não são apenas células nem embriões até às 10 e porque existe vida fora do útero, e a quem o útero pertence). Pelo teor das declarações públicas desdes grupos, estamos perante pessoas que partilham da mesma constelação ideológica de valores, representações e preconceitos. No caso Villas Boas, tanto os grupos anti-escolha como os grupos das famílias numerosas vieram em defesa da homofobia e do sexismo patente no discurso do senhor. Preparam os anti-escolha, uma petição, no encalço da petição pró-escolha, para impedir o referendo proposto.
De certeza que os "famílias numerosas" os apoiam. Tentam que triunfe a homofobia e o sexismo, e as ideologias familialistas. Ainda ontem num debate na NTV, um senhor anti-escolha, dizia com propriedade que 20% dos pedófilos eram homossexuais, baseado num estudo de um jornal americano. O senhor passou-se por 2 razões: trocou sondagens por estudos, pois os jornais não fazem estudos... e a estatística evidencia que 80% dos pedófilos são heterossexuais. O que faz cair a tese dele. Usam a ciência, sem a conhecerem e escolhendo meticulosamente as fontes...apesar de para isso não usarem critérios científicos...
Terá esta onda neo-conservadora que ver com a permanência do PP no poder? Que apoia estas instituições, nem que seja pelo facto de um dos ministros (Bagão Felix) ser completamente anti-escolha, como mostram declarações do mesmo? Ou terem lá a Mariana Cascais, que acha que os anti-escolha podem dar educação sexual? Não é meu objectivo propôr uma teoria da conspiração, mas que existem aqui semelhanças ideológicas existem. O mesmo moralismo, as mesmas causas, a mesma imposição aos outros das opções deles, as mesmas opiniões preconceituosas e o mesmo espírito político. O uso dos direitos humanos e do humanismo moralista só mostra como este discurso está carregadinho de armadilhas: os direitos das crianças são usados para negar a adopção a homossexuais e também servem para negar o direito à auto-determinação das mulheres. Até o argumento é igual! E isto é uma forma de proto-backlash.
Estes senhores e estas senhoras são pois e como diz o Miguel: "contra quem quer direitos modernos". A confusão entre isto e embriões e crianças é da inteira responsabilidade dos intervenientes.

Uma parte da instalação
who would have known : that a boy like him
would have entered me lightly restoring my blisses †
who would have known : that a boy like him
after sharing my core would stay going nowhere
who would have known : a beauty this immense
who would have known : a saintly trance
who would have known : miraculous breath
to inhale a beard loaded with courage
who would have known : that a boy like him
possessed of magical sensitivity
would approach a girl like me
who carresses
cradles
his head in a bosom
he slides inside
half awake / half asleep
we faint back
into sleephood
when i wake up
the second time in his arms : gorgeousness!
he's still inside me!
....?... who would have known ...?....
a train of pearls º º º º º º º º cabin by cabin
is shot precisely across an ocean
from a mouth
from
a
from a mouth of a girl like me
to a boy
to a boy
to a boy
E se substituissemos girl por boy...ou boy por girl? Não ficava lindo na mesma?