fevereiro 29, 2004

Backlashing Portugal!

A onda neo-conservadora que assola o mundo é bastante semelhante aos movimentos, que Susan Faludi (1991. Backlash: The undeclared war against american women. New York: Anchor Books.) denunciou como backlash anti-feminista. Nas palavras de Faludi: "The truth is that the last decade has seen a powerful counterassault on women's rights, a backlash, an attempt to retract the handfull of small and hardwon victories that the feminist movement did manage to win for women (...).The backlash is at once sophisticated and banal, deceptively "progressive" andproudly backward. It deploys both the new findings of scientific research and the dime store moralism of yesterday." (p. xviii).

Faludi referia-se aos movimentos New Right que emergem com força nas administrações Reagan e Bush Pai. Esta onda de moralismo, right wing, acalmou-se um pouco durante a administração Clinton, mas ressurgiu furiosa com a emergência da medíocre Bushada e sua falcoaria. Novo backlash, que até quer ficar consagrado na lei e nos financiamentos às instituições religiosas, de direita, anti-escolha e outros.

Aqui em Portugal, seguimos a onda. Nem se pode falar num backlash como nos Estados Unidos, por aqui, onde o movimento feminista foi incipiente ou praticamente inexistente. Contudo, é um facto que as mulheres começaram, ainda que timidamente, a gozar de determinados direitos e de determinadas posições na esfera pública.

Apesar de tudo, uma série de medidas fundamentais e de direitos ainda não foram postos em prática. Ex.: O caso do aborto e as medidas de acção positiva nas listas para o Parlamento. Por isso, esta vaga conservadora que nos assola nem sequer é um verdadeiro backlash, porque para isso teriam que ser conquistados determinados direitos, que ainda não foram.

Apesar de em comum com o backlash, termos o facto de que forças políticas, religiosas, civis and so on, que eventualmente nem estarão num esforço concertado, de vez em quando mandam umas declarações na praça pública e tentam que elas se tornem lei. Veja-se o caso Villas Boas, as declarações dos grupos das famílias numerosas e a petição do movimento anti-escolha (não são pró-vida, como se dizem, são anti-escolha, porque vida não são apenas células nem embriões até às 10 e porque existe vida fora do útero, e a quem o útero pertence). Pelo teor das declarações públicas desdes grupos, estamos perante pessoas que partilham da mesma constelação ideológica de valores, representações e preconceitos. No caso Villas Boas, tanto os grupos anti-escolha como os grupos das famílias numerosas vieram em defesa da homofobia e do sexismo patente no discurso do senhor. Preparam os anti-escolha, uma petição, no encalço da petição pró-escolha, para impedir o referendo proposto.

De certeza que os "famílias numerosas" os apoiam. Tentam que triunfe a homofobia e o sexismo, e as ideologias familialistas. Ainda ontem num debate na NTV, um senhor anti-escolha, dizia com propriedade que 20% dos pedófilos eram homossexuais, baseado num estudo de um jornal americano. O senhor passou-se por 2 razões: trocou sondagens por estudos, pois os jornais não fazem estudos... e a estatística evidencia que 80% dos pedófilos são heterossexuais. O que faz cair a tese dele. Usam a ciência, sem a conhecerem e escolhendo meticulosamente as fontes...apesar de para isso não usarem critérios científicos...

Terá esta onda neo-conservadora que ver com a permanência do PP no poder? Que apoia estas instituições, nem que seja pelo facto de um dos ministros (Bagão Felix) ser completamente anti-escolha, como mostram declarações do mesmo? Ou terem lá a Mariana Cascais, que acha que os anti-escolha podem dar educação sexual? Não é meu objectivo propôr uma teoria da conspiração, mas que existem aqui semelhanças ideológicas existem. O mesmo moralismo, as mesmas causas, a mesma imposição aos outros das opções deles, as mesmas opiniões preconceituosas e o mesmo espírito político. O uso dos direitos humanos e do humanismo moralista só mostra como este discurso está carregadinho de armadilhas: os direitos das crianças são usados para negar a adopção a homossexuais e também servem para negar o direito à auto-determinação das mulheres. Até o argumento é igual! E isto é uma forma de proto-backlash.

Estes senhores e estas senhoras são pois e como diz o Miguel: "contra quem quer direitos modernos". A confusão entre isto e embriões e crianças é da inteira responsabilidade dos intervenientes.

Publicado por pagan em 07:28 PM | Comentários (11)

Generalizações

Quando na esfera pública, nomeadamente nos sectores mais à esquerda, surgem discursos discriminatórios não posso deixar de me insurgir. Um tema recorrente são os judeus. Que são de direita, que são reaccionários, que são uns capitalistas. É triste perceber ao longe tanto preconceito. Creio que é necessário um cuidado imenso. Primeiro porque os judeus são uma das religiões mais perseguidas da história da humanidade. Apesar de muita gente os tratar como um grupo étnico, são essencialmente um grupo religioso. Segundo, porque foi ainda há apenas 60 anos, que um bando de assassinos -os nazis e outra fascistagem - os tentou exterminar a todos, com as soluções finais e as câmaras de gás. Para além de que o fantasma Estaline também lhes dispensou igual tratamento. E para além de todas as perseguições e de todos os massacres que lhes reservou a Cristandade, usando a ilegítima ideia de que se aquele povo matou Cristo, deveriam ser punidos...Hoje ainda existe o discurso anti-Israel e anti-judeu, quando o que deveria ser contestado era o regime dos ortodoxos sharonistas (ver artigo do Edgar Morin no Barnabé). Esquecem-se que nem todos os judeus são reaccionários, esquecem-se dos judeus comunistas e de esquerda, esquecem-se que, por exemplo, a URSS foi o primeiro país a reconhecer o Estado de Israel. Enfim, uma série de esquecimentos. Neste momento ainda há judeus vítimas de violência, por parte de grupelhos radicais. Ainda me lembro de ter sido aconselhado a evitar a Rue des Rosiers (rua com os melhores restaurantes kosher no Marais, em Paris), por medo de possíveis atentados. Daí achar que as generalizações são perigosas. Ser judeu é diferente de ser israelita que por sua vez também não quer dizer que se seja pró-Sharon. Detestaria que pensassem que sou de Direita reaccionária, só porque o Paulo Portas e o Bagão estão no governo. Este exemplo permite mostrar a estupidez desta generalização.
Publicado por pagan em 04:35 PM | Comentários (4)

Matthew Barney e Arto Lindsay no Carnaval da Bahia

Matthew Barney volta a surpreender. Desta vez participou nos cortejos de trios eléctricos no Carnaval da Bahia. Criou um carro, que consistia numa árvore arrancada a ser puxada por um tractor, com uma artista, que representava a ecologista americana Julian Butterfly Hill, que morou 2 anos em cima de uma árvore, como acção de prostesto contra o abate de árvores. Nesse carro, coberto de lama, Arto Lindsay espalhava música electrónica. Uma intervenção inesperada. Mas ainda há mais...para além disso, um actor, relativamente oculto, num compartimento do carro, estava nu e a masturbar-se. Muito interessante a ideia. Há rumores de que a instalação estará presente na Bienal de S. Paulo. Está tudo aqui e aqui. Barney é referido como o marido de Björk, que também esteve a assistir.


Uma parte da instalação

Publicado por pagan em 04:36 AM | Comentários (3)

Who's afraid of Virginia Woolf?


Publicado por pagan em 01:31 AM | Comentários (0)

fevereiro 28, 2004

Cocoon by Bjork

who would have known : that a boy like him
would have entered me lightly restoring my blisses †

who would have known : that a boy like him
after sharing my core would stay going nowhere

who would have known : a beauty this immense
who would have known : a saintly trance
who would have known : miraculous breath
to inhale a beard loaded with courage

who would have known : that a boy like him
possessed of magical sensitivity
would approach a girl like me
who carresses
cradles
his head in a bosom

he slides inside
half awake / half asleep
we faint back
into sleephood
when i wake up
the second time in his arms : gorgeousness!
he's still inside me!

....?... who would have known ...?....

a train of pearls º º º º º º º º cabin by cabin
is shot precisely across an ocean
from a mouth

from

a

from a mouth of a girl like me

to a boy

to a boy

to a boy

E se substituissemos girl por boy...ou boy por girl? Não ficava lindo na mesma?

Publicado por pagan em 08:19 PM | Comentários (1) | TrackBack

Esquizo Blogs

Neste momento, coloco entradas nos meus dois blogs que tenderão a ser iguais. A linha editorial é a mesma, conto com o apontamento culinário do Boss aos domingos. Contudo, é um processo um bocado esquizo andar a fazer tudo em duplicado. Este novo clone (improved, however) parece-me mais interessante que o habitual Blogger. Para além do mais, não pertence à hegemonia americana e isso faz-me sentir bem. Peço desde já desculpa, por uma série de posts de teste (no Pagan Weblog), mas isso deve-se essencialmente a uma tentativa de começar a funcionar neste registo. ainda há uma série de problemas que tenho que resolver, daí preferir a vossa visita no velho pagan days, porque a casa nova ainda não está pronta e a ainda nem tenho o w.bloggar a funcionar bem para lá. Por enquanto ainda está tudo muito verde. De qualquer modo, a mudança de ares parece que irá ser positiva. A ver vamos. Os meus agradecimentos desde já, ao Paulo Querido, que aloja este blog.
Publicado por pagan em 07:47 PM | Comentários (1) | TrackBack

Blog próprio para consumo

Já nos mudámos de vez. A partir de hoje, estaremos sempre por aqui. No Pagan Days antigo, ainda estão os arquivos antigos, que em breve serão transportados para aqui e assim ficaremos com tudo por cá. Quem quiser posts novos (meus e aos domingos, o nosso Boss), pois que venha a este novo e vosso Pagan Days...
Publicado por pagan em 07:02 PM | Comentários (0)

Inauguração

Este é a nova toca!

Publicado por pagan em 02:41 PM | Comentários (2) | TrackBack